Quanto custa manter um motoboy CLT em 2026?
Equipe HUB7 min de leitura
Se você já pensou em contratar um motoboy fixo, provavelmente fez a conta pelo salário. É o número que aparece na proposta, o que o candidato pergunta e o que entra na conversa com o contador. Só que ele é, de longe, a menor parte do que sai do caixa todo mês.
Este artigo abre a conta inteira. Sem estimativas mágicas e sem promessas: o objetivo é que você saiba exatamente quais linhas existem, para decidir com informação em vez de intuição.
O salário é o ponto de partida, não o custo
O salário base de um entregador varia por região e, principalmente, pela convenção coletiva do sindicato da sua categoria. Não existe um número nacional, e desconfie de quem te der um.
O que existe, e vale para todo mundo, é a estrutura de custos que se monta em cima desse salário. Ela é previsível, definida em lei, e é onde a conta cresce.
As linhas que ninguém lembra na hora da proposta
Adicional de periculosidade: 30%
Esta é a linha que mais surpreende quem está fazendo a conta pela primeira vez.
Desde a Lei 12.997/2014, que acrescentou o parágrafo 4º ao artigo 193 da CLT, a atividade de trabalhador em motocicleta é classificada como perigosa. Isso garante um adicional de 30% sobre o salário base.
Não é liberalidade, não é benefício e não pode ser negociado individualmente para menos. Se a função envolve conduzir moto no trabalho, o adicional é devido.
Encargos patronais
Sobre a remuneração incidem as contribuições que a empresa paga, não o funcionário:
- INSS patronal, na alíquota aplicável ao seu enquadramento
- FGTS, com depósito mensal de 8% da remuneração
- RAT/SAT, que varia conforme o grau de risco da atividade
- Contribuições a terceiros, o chamado Sistema S, conforme o enquadramento
Empresas no Simples Nacional têm tratamento diferente de empresas no Lucro Presumido. Vale confirmar com o seu contador qual regime se aplica, porque isso muda a conta.
Décimo terceiro e férias
Estes dois não são despesas anuais: são despesas mensais que você paga uma vez por ano.
- O 13º salário equivale a um salário adicional, ou seja, cerca de 1/12 a mais por mês
- As férias somam mais 1/12, acrescidas do terço constitucional
Ou seja, provisionar corretamente significa reservar todo mês, mesmo que o desembolso aconteça depois.
Os custos que não são folha
- Combustível, que sobe e desce sem avisar
- Manutenção da moto, se o veículo for da empresa
- Equipamento: baú, capacete, capa de chuva, uniforme
- Seguro e eventuais multas
- Vale-transporte e vale-refeição, conforme a convenção da categoria
Como fica a soma
Juntando folha, encargos, provisões e custos operacionais, manter um motoboy fixo costuma ficar entre R$3.000 e R$4.500 por mês.
| Bloco | O que entra |
|---|---|
| Remuneração | Salário base + adicional de periculosidade (30%) |
| Encargos patronais | INSS, FGTS, RAT/SAT, terceiros |
| Provisões | 13º salário e férias + 1/3 |
| Operacional | Combustível, manutenção, equipamento, seguro |
| Benefícios | Vale-transporte e refeição, conforme convenção |
A faixa é larga de propósito. Um entregador em cidade pequena com moto própria e outro em capital com veículo da empresa não custam a mesma coisa. Use a tabela como mapa das linhas que você precisa preencher, não como um orçamento pronto.
O problema não é o valor. É a rigidez.
Aqui está o ponto que a planilha não mostra.
Suponha que a conta feche em R$3.600 por mês. Esse número não muda se a semana for fraca. Não muda no feriado em que ninguém pediu nada. Não muda quando o entregador tira férias e você precisa de alguém para cobrir. E ele também não te ajuda no sábado à noite, quando chegam pedidos suficientes para dois motoboys e você tem um.
O custo é fixo. O volume de entregas não é.
É por isso que muita operação com demanda irregular começa a olhar para modelos onde se paga por entrega realizada. Não porque o custo por entrega seja necessariamente menor em dia cheio, mas porque não existe custo em dia vazio.
Se você quer entender melhor esse modelo, escrevemos sobre o que é logística sob demanda. E se a sua dúvida é mais prática, o artigo sobre entrega própria ou terceirizada traz um checklist de decisão.
Como usar essa conta na prática
Antes de decidir, levante três números da sua operação:
- Quantas entregas você faz por mês, separando dias fortes de dias fracos
- Qual a sua variação entre a melhor e a pior semana do mês
- Quantas horas por dia o entregador ficaria efetivamente rodando
Se a resposta do item 3 for "boa parte do expediente, todos os dias", o modelo fixo pode fazer sentido. Se for "algumas horas nos picos", o custo por hora ociosa provavelmente está comendo a sua margem sem aparecer em lugar nenhum.
Em resumo
Contratar CLT não é errado. Para operações com volume alto e constante, é organizado e dá previsibilidade.
O erro é fazer a conta pelo salário e descobrir o resto depois. Periculosidade, encargos, provisões e custo operacional transformam uma proposta que parecia caber no orçamento em uma despesa fixa bem maior.
Faça a conta inteira antes. Se ela fechar, contrate com tranquilidade. Se não fechar, saiba que existe alternativa.
A HUB Fluxion trabalha com entregas sob demanda, sem mensalidade e sem custo fixo: você paga pelas entregas que realmente acontecem. Se quiser conversar sobre a sua operação, fale com a gente. Não custa nada descobrir qual modelo faz mais sentido para o seu volume.
Fontes
Perguntas frequentes
Motoboy tem direito a adicional de periculosidade?
Sim. A Lei 12.997/2014 acrescentou o parágrafo 4º ao artigo 193 da CLT e classificou como perigosa a atividade do trabalhador em motocicleta. O adicional é de 30% sobre o salário base, sem incidência de gratificações, prêmios ou participação nos lucros. Ele não é opcional nem negociável por acordo individual.
Contratar como PJ sai mais barato?
Na planilha, sim. Na prática, depende de a relação ser realmente de prestação de serviço, com autonomia de horário e ausência de subordinação. Quando o entregador cumpre escala fixa, usa uniforme e responde a um supervisor, existe risco de reconhecimento de vínculo, e o passivo trabalhista costuma superar a economia. Vale conversar com o seu contador antes.
E se o volume de entregas variar muito ao longo do mês?
Esse é o ponto cego do modelo fixo. O custo do motoboy contratado é o mesmo na segunda-feira parada e no sábado de pico. Em operações com demanda irregular, o que costuma pesar não é o custo por entrega nos dias cheios, e sim o custo por hora ociosa nos dias vazios.
Quer entregas sem custo fixo?
A HUB Fluxion conecta a sua empresa a entregadores parceiros. Você paga por entrega realizada, sem mensalidade e sem motoboy parado.